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Uma aventura… na adega

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Ontem fui até ao Alentejo. Eu e a minha namorada tínhamos ideia de passar em Entradas para ver o nosso parente Napoleão. Chegados a esta encantadora vila, ligámos ao nosso – sem ele saber – anfitrião. Não estava lá. Encontrava-se mais um seu amigo na herdade da Malhadinha Nova, uma propriedade magnífica onde é fabricado seguramente dos melhores vinhos alentejanos.
Disse-nos para aguardarmos um pouco que já viria ao nosso encontro. Assim foi. Apanhou-nos à porta de sua casa e dirigimo-nos à herdade. Lá chegados, provámos um admirável Antão Vaz que, apesar de não ser tinto, me agradou sobremaneira.
Adiante.
Como o objectivo era visitar várias adegas, lá nos metemos no carro e partimos à aventura.
E aqui começa a relação entre o artigo e o Marketing.
Chegámos a outra propriedade da qual não vou dizer o nome (já perceberão porquê).
O Napoleão abordou a senhora da loja de vinhos. Ela soprou, com um ar de aborrecimento, como resposta ao “boa tarde” do meu amigo. Mas respondeu “Boa tarde. Posso ajudá-lo?” com um ar de frete incrível. Ele disse que sim, que pretendia ver vinhos. Ela respondeu: “Não temos grande coisa.” Seguidamente, perante o nosso desinteresse devido ao elevadíssimo preço praticado no vinho (já o tínhamos visto mais barato numa conhecida superfície comercial… se é mais caro na origem é no mínimo estranho), respondeu com a magnificente frase: “Fiquem à vontade que eu vou continuar o meu trabalho.”
Caríssimo leitor: já viu certamente que erros estão aqui inculcados. Tem um negócio? Por favor certifique-se que os seus colaboradores não cometem estes erros crassos que podem arruinar a empresa de qualquer um:

  1. Não valorizar o produto. Frases como “Não temos grande coisa” são injustificáveis. Demonstra um total desinteresse, descrença e incapacidade de valorizar o produto, neste caso, vinho.
  2. Frases como “Fiquem à vontade que eu vou continuar o meu trabalho.” São estapafúrdias. Então a falar connosco não estaria a trabalhar? Deixa transparecer uma imagem que estávamos ali a atrapalhar o trabalho da senhora.
  3. Cara de frete. Parece-me óbvia, não? :)
  4. Pré julgamento. Deve ter pensado que não seríamos potenciais compradores… (Leiam este artigo do Napoleão: Pré Julgando & Pré Qualificando).

Aquela herdade custou milhares de euros. Milhões de gotas de suor. Construiu-se um sonho à volta de um produto.
Não é de todo aconselhável que se deixe perecer. Ainda por cima desta forma.

Publicado originalmente em Uma aventura na adega ou como arruinar um negócio

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